Irena Sendler

By Bianca Albuquerque - 18:53

 Irena Sendler nasceu em 15 de fevereiro de 1910, em Otwock, cidade próxima a Varsóvia, filha única do casal Krzyzanowski. A família sempre manteve estreitas relações com a comunidade judaica da cidade. O pai, Stanislaw, era médico e entre seus pacientes havia vários judeus, muito dos quais sem recursos. Ardente socialista, Stanislaw não cansava de ensinar à pequena Irena que o ato de ajudar devia ser para todo ser humano uma necessidade que emanasse do coração, não importando se o indivíduo a ser ajudado era rico ou pobre, nem a que religião ou nacionalidade pertencia. Em 1917, Otwock foi tomada por uma epidemia de tifo. Stanislaw, fiel aos seus ideais, não deixou a cidade e continuou socorrendo os doentes. Ele mesmo contraiu tifo, mas antes de morrer fez uma última recomendação à filha: "Se vires alguém se afogando, deves pular na água e tentar ajudar, mesmo se não souberes nadar".


Na juventude, Irena estudou literatura polonesa e se filiou ao Partido Socialista. Na década de 1930, quando o endêmico anti-semitismo polonês aumentava sua virulência, Irena foi expulsa da Universidade de Varsóvia por enfrentar um professor que obrigara os alunos judeus a se sentar em local separado, na classe. A jovem foi para o "setor judaico" da sala e quando o professor lhe disse para mudar de lugar, respondeu: "Hoje sou judia".
Casou com Mieczyslaw Sendler, com o qual não teve filhos e passou a trabalhar como assistente social. Quando os alemães invadiram a Polônia, em setembro de 1939, ela trabalhava no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, única organização oficial polonesa autorizada a atuar no país, além da Cruz Vermelha. Irena era responsável pela administração dos refeitórios comunitários localizados em cada distrito da cidade, que, graças a ela, distribuíam, além de alimento, roupas, medicamentos e algum dinheiro. E, quando se tornou proibido atender os judeus, ela registrou aqueles que iam pedir ajuda com nomes cristãos, fictícios. Para evitar visitas de inspeção, colocava nas fichas que na família havia doença infecciosa, como tifo ou tuberculose.

GUETO DE VARSÓVIA

Irena conseguiu permissão para trabalhar como encanadora e para fazer limpeza de esgoto.
Todas as vezes que ela saia do gueto, escondia uma criança no fundo de sua caixa de ferramentas.
Ela adestrou um cachorro para fazer barulho quando ela deixava o gueto, e atrair a atenção dos guardas nazistas.

Ela salvou  2500 Crianças da morte!

A prisão de Pawiak
No dia 20 de outubro de 1943, Irena foi à casa de sua mãe para uma reunião de amigos. No final da tarde, a Gestapo invadiu o local. Por sorte, ajudada por uma amiga, ela conseguira esconder documentos que a incriminavam e uma grande quantia do Zegota destinada à ajuda aos judeus. A busca durou três horas. Não encontraram nada, mas Irena foi presa e levada à terrível prisão de Pawiak. Uma de suas colaboradoras havia sido presa e, sob tortura, revelara seu nome.
O alemão que a interrogou era jovem, com boas maneiras e falava perfeitamente o polonês. Queria os nomes da liderança do Zegota, endereços e a relação de todos os envolvidos. Apesar de brutalmente torturada - quebraram-lhe as duas pernas - ela não cedeu. Sua vontade foi mais forte que a dor. Recusou-se a trair colaboradores ou crianças. Passou três meses nessa prisão até ser julgada e condenada à morte. "Todos os dias, ao amanhecer, as portas das celas eram abertas e eram chamados nomes de pessoas que nunca mais voltavam. Um dia, meu nome foi chamado"; lembrou Irena em seus depoimentos.
Irena estava sendo levada para o local onde devia ser fuzilada quando um agente da Gestapo surgiu com a ordem de conduzi-la a outro interrogatório. O Zegota conseguira subornar o agente minutos antes da execução; após conduzi-la a um canto, o nazista mandou-a desaparecer.Estava livre. Na mesma noite, Irena viu cartazes, nos muros de Varsóvia, com o nome das pessoas executadas. Entre eles, constava o seu.
A Gestapo não tardou a descobrir o que ocorrera; isto forçou Irena a viver escondida, sob falsa identidade, até a libertação da Polônia pelos exércitos russos - exatamente como tantos outros a quem salvara. Mas, mesmo perseguida pela Gestapo, continuou a atuar.

Mesmo quando dormia, irena não conseguia esquecer. Em sonhos, ela se via tirando uma criança, que chorava desesperadamente, dos braços da mãe que lhe perguntava: 'jura que meu filho se salvará?' Responsável por salvar 2.500 crianças do gueto de Varsóvia, irena jamais esqueceu aqueles terríveis momentos em que era obrigada a separar os filhos de seus pais.



fonte de pesquisa
http://www.morasha.com.br/ 

Uma mulher guerreira e heroína.
Por mulheres assim
Sinto orgulho do sexo feminino! 

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